domingo, 24 de agosto de 2014

Droga, Tratamento e Vida

Sou um drogado em um mundo de desilusão.
Caído e entregue a mais adictiva das drogas sem razão.
Que consome, destrói e enlouquece minhas horas.
Pois este é um mundo de nobres e vis senhoras.

Porém ao final você pede por mais um trago, cheiro e injeção.

Mas isso deveria ser passado meu caro amigo.
Lembra que ela deixou de ser capitulo pra virar artigo.
Pois todo aquele destruir, voltar e amar.
Hoje não passam de me ver a gritar.

Que “Eu te venci mulher!”, exultado eu digo.

Mas só Deus sabe o que eu fiz para vencer.
Afinal o destino tinha essa piada a escrever.
De uma escolha voluntaria e sem opção.
Da minha maldita e fria clinica de reabilitação.

E tudo o que eu queria era ao final poder viver.

“Eu te venci mulher!” gritava em emoção.
Para desdém da enfermeira fria e sem compaixão.
Mas a que preço me pergunto em joelhos.
De ver meu reflexo em chamas amarelas nos meus espelhos.

Alucinação, descrença e dragão.

E como mágica meu tratamento só me machucava.
Mas minha abstinência da droga se abrandava.
Me via cada vez mais dependente de clínicas e suas camas.
Uma clínica fria transformada em hospício em chamas.

Porém o que eu deveria sabe era que tudo se findava.

E assim encontrava a vida normal.
Eis que me via em uma felicidade verdadeiramente real.
Sem droga ou reabilitação, puramente bela e doce e nada além.
Porém estava errado em achar que estava tudo bem.

Sequelas sempre serão o preço de um tempo desleal.

Achei que tinha vencido de vez a minha droga e sua surra.
Mas “Eu era doce como a vida antes de me tornar droga” ela sussurra.
Pois o resultado de seu uso é a paranoia não se engane.
E agora vivo assustado sempre a espera de ver sangue.

“Eu te venci mulher!”, mas seus efeitos serão pra sempre minha urra.

E as queimadas do meu tratamento me servem de lembrança.
Que é mentira que meus atos antigos não terão cobrança.
Ainda a clínica me manda cartões de natal e por vezes jura.
Que não é que pretende me internar de novo, mas que devo ter mesura.

E isso tudo me faz colocar a vida na balança.


Mas ela merecia estar lá? Esta é a pergunta.

domingo, 17 de agosto de 2014

Não sei

Eu não sei, sabe? As vezes eu me pergunto pra quer aprender tanto e ainda não saber de nada, como uma piada de mal gosto das pessoas me falando que cada vez que eu quebrava a cara era pra me animar por estar mais experiente, saber mais. Pois vejam bem caros amigos, ainda não sei de nada. Principalmente, não sei dela.
Não sei se sou frio ou quente com ela, mais uma vez minha experiência diz que o frio afasta, e eu sei que não a quero longe.Mas oras! Minha experiência também me diz que quando eu fui quente me queimei e pus pra correr a pessoa com medo do incêndio. Também sei que não quero que ela fuja de mim.
Não sei se digo a todo o momento quão linda ela é, porque Deus e eu sabemos o quanto ela realmente é encantadora.  Ou não sei se me reservo, fico dando indiretas para que a mesma mensagem fique clara só que de um jeito mais “clean”. Não sei se sou direto ou sutil pra conquista-la, e eu sei que quero isso.
E eu não sabia se dizia que estava com saudades, “isso é se apegar demais” e “ela disse que era bom não mergulhar”. Mas ela também disse que era chato não mergulhar...

Mas agora eu sei que tenho saudades, e se você meu caro leitor contar todas as vezes que eu disse “eu sei” neste texto você também saberá de uma coisa comigo: Eu sei que a quero, eu sei que cada vez que eu falava com ela meu coração batia, eu sei que sinto a falta dela, eu sei que quero te fazer feliz, eu sei que quero mergulhar com ela, se já não tiver mergulhado e esperando ela aparecer do meu lado segurando minha mão no fundo do mar (olhe outro não sei meu). Eu sei, eu sei, eu sei, eu sei.