Sou um
drogado em um mundo de desilusão.
Caído e entregue
a mais adictiva das drogas sem razão.
Que consome,
destrói e enlouquece minhas horas.
Pois este é
um mundo de nobres e vis senhoras.
Porém ao final
você pede por mais um trago, cheiro e injeção.
Mas isso
deveria ser passado meu caro amigo.
Lembra que ela
deixou de ser capitulo pra virar artigo.
Pois todo
aquele destruir, voltar e amar.
Hoje não
passam de me ver a gritar.
Que “Eu te
venci mulher!”, exultado eu digo.
Mas só Deus sabe
o que eu fiz para vencer.
Afinal o
destino tinha essa piada a escrever.
De uma escolha
voluntaria e sem opção.
Da minha
maldita e fria clinica de reabilitação.
E tudo o que
eu queria era ao final poder viver.
“Eu te venci
mulher!” gritava em emoção.
Para desdém da
enfermeira fria e sem compaixão.
Mas a que
preço me pergunto em joelhos.
De ver meu reflexo em chamas amarelas nos meus espelhos.
Alucinação,
descrença e dragão.
E como mágica
meu tratamento só me machucava.
Mas minha abstinência
da droga se abrandava.
Me via cada
vez mais dependente de clínicas e suas camas.
Uma clínica
fria transformada em hospício em chamas.
Porém o que
eu deveria sabe era que tudo se findava.
E assim
encontrava a vida normal.
Eis que me
via em uma felicidade verdadeiramente real.
Sem droga ou
reabilitação, puramente bela e doce e nada além.
Porém estava
errado em achar que estava tudo bem.
Sequelas sempre serão o preço de um tempo desleal.
Achei que
tinha vencido de vez a minha droga e sua surra.
Mas “Eu era
doce como a vida antes de me tornar droga” ela sussurra.
Pois o
resultado de seu uso é a paranoia não se engane.
E agora vivo
assustado sempre a espera de ver sangue.
“Eu te venci
mulher!”, mas seus efeitos serão pra sempre minha urra.
E as
queimadas do meu tratamento me servem de lembrança.
Que é
mentira que meus atos antigos não terão cobrança.
Ainda a clínica
me manda cartões de natal e por vezes jura.
Que não é
que pretende me internar de novo, mas que devo ter mesura.
E isso tudo me
faz colocar a vida na balança.
Mas ela
merecia estar lá? Esta é a pergunta.